‘Senti adrenalina’, diz surfista salvo por petroleiro após 10h à deriva no RS

surfista a deriva rio grande do sul

O dia 3 de agosto ficará na memória do designer gaúcho Henrique Lohmann. Foi nesta data, há cerca de dois meses, que o jovem escapou da morte no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, como mostra reportagem do Teledomingo, da RBS TV (confira no vídeo). Ele conta que decidiu surfar sozinho em Imbé, foi levado pela correnteza e ficou à deriva no mar por cerca de 10 horas. Após desistir de tentar voltar à margem, deu meia volta e nadou rumo a um barco petroleiro, onde conseguiu a ajuda que precisava.

“Senti adrenalina, mas acho que também comecei a sentir um alívio, porque estava chegando perto de alguma coisa que podia me ajudar. Continuei nadando em direção ao navio. Parava de vez em quando para ver se eu continuava nadando na direção certa, até que cheguei bem perto dele e comecei a gritar, na direção deste petroleiro, e vi que tinha um pessoal no convés. Eles gritaram de volta, dizendo que iam chamar ajuda, e aí veio uma lancha da Capitania dos Portos, me tirou da água, me passou para outro navio da Marinha, que me levou de volta a Imbé”, conta o surfista.

Era por volta de 13h30 quando Lohmann entrou na água para surfar. Cerca de uma hora depois, começou a nadar em direção à correnteza, e percebeu que não tinha sucesso. A correnteza o levara até a direção do canal que separa as praias de Tramandaí e Imbé, e liga a Lagoa de Tramandaí ao Oceano Atlântico. Neste ponto, se forma um corredor de água que pode arrastar os surfistas para alto mar.

“Com o tempo eu vi que a correnteza me levava mais para lá, em direção ao rio. Ao mesmo tempo eu tentava nadar, ou para a praia, ou a favor da corrente, e não saía do lugar”, conta o surfista, indicado a direção do canal.

Depois que o sol se pôs, Lohmann decidiu nadar em direção aos petroleiros. Já era noite, e as embarcações estavam iluminadas. Enquanto tentava alcançar quem poderia lhe salvar, o jovem temia pelo pior. “Não pensei em desistir, mas por um bom tempo pensei que não havia mais o que eu pudesse fazer”, conta.

Resgatado pela Guarda Costeira com sintomas de hipotermia, o designer foi levado ao posto de atendimento. “Isso é fato inédito e histórico em Imbé”, diz o médico Leandro Candiago, responsável pelo atendimento ao jovem. “O Henrique chegou ao posto permanecido em alto mar por 10 horas, preso pela corrente marítima. Resgatado pela Marinha, foi trazido pelo Samu, e foi aplicado um soro fisiológico aquecido”, relatou.

Segundo dados da Operação Golfinho, no último verão 325 pessoas foram retiradas do mar pelos salva-vidas na região, 130 em Tramandaí e 195 em Imbé. Além de Lohmann, outros dois jovens foram salvos em alto mar nos últimos 12 meses.

“Pode acontecer com todo mundo, se não estiver sempre preparado”, alerta o empresário Renato Sachs, surfista profissional. “Tem que ter sempre muito respeito, estar sempre bem ambientado com o que está acontecendo. As condições aqui no Sul são muito sensíveis”, adverte.

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Luiz Ernesto orienta que os surfistas evitem entrar no mar sozinhos. “É importante o surfista, além de estar em grupo, observar as condições do mar, as correntes marítimas norte e sul. Tem a questão do vento terral, como nós chamamos o vento oeste, que vai levar o surfista para dentro do mar. É uma conjunção de fatores de risco”, avisa.

Apesar do susto, Lohmann garante que não pretende abandonar o esporte. Porém, sem jamais esquecer o dia 3 de agosto de 2014. “É o meu ‘reaniversário’”, diz.

Fonte: G1

Aloha!

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