WCt Trestles 2015 Mick Fanning (AUS)

Mick Fanning (Foto: Kenneth Morris – WSL)

Um confronto direto pela lycra amarela de número 1 do ranking mundial de surf 2015 fechou o WCT Trestles 2015 e ela voltará a ser usada pelo australiano Mick Fanning na próxima etapa do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour nos dias 06 a 17 de outubro na França.

O tricampeão mundial usou suas manobras de borda para ganhar as maiores notas na sexta-feira de ondas inconsistentes de 3-4 pés em Lower Trestles. Mas, Adriano de Souza tentou a vitória até o fim e acabou perdendo por 1 ponto de diferença no placar encerrado em 17,44 a 16,44 pontos. Eles já haviam decidido o título do Rip Curl Pro Bells Beach na Austrália numa final que terminou empatada, com o australiano levando a melhor por ter recebido a maior nota. Mineirinho agora é o segundo no ranking, seguido por Filipe Toledo, que dividiu o terceiro lugar na Califórnia com o campeão mundial Gabriel Medina, derrotado por Fanning nas semifinais.

“Este tem sido um grande evento para mim e tivemos ondas incríveis desde o início do campeonato”, destacou Mick Fanning. “Esta onda e este evento são para alta performance e ficar com este troféu de campeão é realmente especial. Eu quero parabenizar o Adriano (de Souza) também. Ele surfou de forma incrível, é um batalhador que está sempre na luta e toda bateria tem seus desafios. Desde o rounde 3 contra o Kolohe Andino, depois o Kelly (Slater), Adrian Buchan e o Gabriel (Medina). Aqui você surfa contra os melhores do mundo e sei que um quarto título mundial não será fácil conseguir, especialmente quando eu tenho que surfar contra uma pessoa como o Adriano”.

A decisão do título do Hurley Pro Trestles aconteceu após a vitória da havaiana Carissa Moore na final do Swatch Women´s Pro contra a sul-africana Bianca Buitendag. O mar estava difícil, com ondas pequenas e séries demoradas em Lower Trestles, mas quando entravam os dois aproveitavam ao máximo para manobrar em qualquer espaço para somar pontos. Fanning continuou com seu surfe de borda impecável, variando manobras sempre esticando a rabeta para inverter a direção da prancha e largou na frente com notas 6,50, 7,67 e 9,77, dominando a primeira metade da bateria. Mineirinho começou com nota 6,93 e depois acertou um aéreo grab-rail para tirar 7,33, mas as duas ondas teriam que ser trocadas por duas melhores para superar os 17,44 pontos do australiano.

Hurley Pro Trestles 2015

Adriano de Souza (Foto: Sean Rowland – WSL)

Ele precisava fazer uma nova bateria nos 15 minutos finais e a dificuldade era maior ainda por causa das ondas inconsistentes e pequenas em Lower Trestles. Adriano falha em sua primeira tentativa de sair de “combination” numa direita que fechou rápido. Já Fanning acerta na escolha novamente e pega uma onda com parede mais longa para suas manobras. O tempo foi passando e não entrou mais nada quando a bateria chegou nos 10 minutos finais, mas logo depois Adriano surfa a sua melhor onda de todo o campeonato, manobrando forte para ganhar nota 9,07 e diminuir a vantagem para 8,38 pontos nos últimos 5 minutos. Só que veio a calmaria de novo em Trestles, não entrou outra onda boa para o brasileiro e a bateria terminou com 1 ponto de diferença no placar de 17,44 a 16,44 pontos.

“É sempre muito especial fazer uma final com uma lenda como o Mick Fanning”, elogiou Adriano de Souza. “Tivemos uma boa batalha, nós dois estávamos brigando lá no outside, mas somos amigos aqui fora. Estou muito feliz por ter feito mais uma final, muito obrigado a todos que lotaram a praia hoje (sexta-feira) e parabéns ao Mick pela vitória. Eu tentei até a minha última onda, não deu, mas eu ainda sigo na busca do meu primeiro título mundial e este resultado aqui certamente vai ajudar para atingir este objetivo”.

SEMIFINAL BRASILEIRA – As semifinais também foram super disputadas, principalmente o duelo brasileiro eletrizante entre Adriano de Souza e Filipe Toledo, que abriu a bateria numa onda fraca que só rendeu 4,17 pontos. Mineirinho escolhe melhor e começa com nota 7,0 numa direita mais longa para desfilar suas manobras, com rasgadas fortes na borda, batidas, floater, roundhouse cutback, aproveitando a onda até o fim. Depois eles pegam algumas ondas sem potencial para tirar grandes notas, sempre com Adriano na frente com 7,77 pontos de vantagem sobre Filipe quando faltavam 20 minutos para o término da bateria.

Mineirinho segue com uma escolha melhor de ondas e tira notas 8,33 e 7,13 em duas seguidas, mas Filipe usa sua arma mortal, acerta o aéreo reverse e ganha 8,17, depois 5,90 para se manter na briga, mas ainda precisava de 7.30 para vencer. Ele entra numa onda ruim e Adriano escolhe outra boa que abre a parede para fazer várias manobras, mas a nota não superou o 7,13 para aumentar o seu placar de 15,46 pontos contra 14,07 de Filipe Toledo. O sinal dos 5 minutos finais soou quando os dois estavam no outside numa hora de calmaria do mar, ambos aguardando as séries que poderiam decidir o primeiro finalista.

A prioridade de escolha estava com Filipe e o tempo foi passando, nada de ondas quando restavam 3 minutos, 2 minutos, 1 minuto e faltando 20 segundos entrou uma direita para ele já começar com um aéreo reverse, mandar mais duas manobras modernas do seu vasto repertório e deixar a dúvida se a onda valeu a virada ou não. Fica um suspense pela divulgação da nota, que demora um pouco e ambos ficam esperando, mas a média saiu 7,10 e Mineirinho vingou a derrota sofrida na primeira semifinal do ano na Gold Coast, desta vez derrotando Filipinho por 15,46 a 15,27 pontos.

“Foi uma boa bateria e o resultado mostrou isso”, disse Filipe Toledo, que ultrapassou os australianos Owen Wright e Julian Wilson para se isolar na terceira posição do ranking. “Eu sabia que o Adriano (de Souza) seria um cara muito difícil de bater porque ele estava competindo com muita confiança aqui. Mesmo assim, estou feliz pelo resultado e agora é focar na França”.

DUELO DE CAMPEÕES – O duelo dos dois últimos campeões mundiais definiu o segundo finalista e a bateria começou com ambos ganhando nota 6,17 em suas primeiras ondas. Mas, logo o australiano usou as manobras de borda executadas com pressão e velocidade nas direitas de Trestles para dominar a primeira metade da bateria com notas 7,33 e 9,07. Medina ficou precisando de uma nota excelente de 9,47 pontos e Fanning seguiu botando pressão a cada onda sempre muito bem surfada para ganhar 9,10 e aplicar uma “combination” no brasileiro, ou seja, precisando de duas notas para superar os seus 18,17 pontos.

Medina enfim acha uma direita que abre a parede para ele apresentar o seu arsenal de manobras de backside, desgarrando a rabeta, jogando água pra cima a cada movimento para receber 8,67 e se manter vivo na briga, precisando de 9,5 para a vitória. Aí Medina usou os aéreos numa esquerda, completando dois voos de alto grau de dificuldade na mesma onda para ganhar 8,87, mas ainda necessitava de uma nota 9,30 nos 5 minutos finais. Como na bateria anterior, parou de entrar onda em mais uma longa e agonizante calmaria, com Medina não tendo outra oportunidade para reverter o placar, encerrado em 18,17 a 17,54 pontos.

DISPUTA DO TÍTULO – Apesar de Mick Fanning ter recuperado a lycra amarela de número 1 do Jeep Leaderboard com sua segunda vitória sobre Adriano de Souza na temporada, a disputa do título mundial segue acirrada e promete ser emocionante nas duas etapas da “perna europeia” que antecedem a grande final em Banzai Pipeline, no Havaí. A próxima batalha é no Quiksilver Pro France em outubro, onde somente os quatro primeiros colocados no ranking vão brigar pela ponta. Fanning lidera com 44.700 pontos, seguido de perto por Adriano com 42.950, Filipe Toledo com 39.700 e Owen Wright com 38.400.

O campeão mundial Gabriel Medina ainda tem chance de lutar pelo bicampeonato e ganhou três posições no Hurley Pro Trestles, subindo do décimo para o sétimo lugar. O potiguar Italo Ferreira segue firme para ser premiado como o melhor estreante da temporada na nona colocação, com o outro novato da seleção brasileira, Wiggolly Dantas, em 12.o lugar. O potiguar Jadson André caiu de 19.o para vigésimo em 21.o está o paulista Miguel Pupo, que entrou no grupo dos 22 que são mantidos na elite dos top-34 da World Surf League para o ano que vem com o nono lugar conquistado na Califórnia.

Carissa Moore (HAW)

Podio do Swatch Women´s Pro (Foto: Kenneth Morris – WSL)

HAVAIANA CAMPEÃ – Na sexta-feira também foi encerrado o Swatch Women´s Pro em Lower Trestles e a havaiana Carissa Moore superou a sul-africana Bianca Buitendag para festejar a sua terceira vitória no Samsung Galaxy World Surf League Women´s Tour 2015. Ela já havia recuperado a lycra amarela do Jeep Leaderboard quando a líder Courtney Conlogue foi eliminada na quarta de final norte-americana com Lakey Peterson, disputada na semana passada em Lower Trestles. Lakey perdeu a primeira semifinal da sexta-feira para Buitendag e dividiu o terceiro lugar com a australiana Dimity Stoyle.

Assim como no masculino, restam três etapas para definir a campeã mundial de 2015 e elas serão decisivas também para a brasileira Silvana Lima buscar uma vaga no grupo das dez primeiras colocadas no ranking, que são mantidas na elite das top-17 para o ano que vem. No momento, a cearense ocupa a 13.a posição e vai precisar de ótimos resultados para entrar no G-10. A primeira tentativa será no Cascais Women´s Pro, nos dias 22 a 28 deste mês ainda em Portugal. Depois tem o Roxy Pro France de 6 a 17 de outubro em Hossegor e o Maui Women´s Pro fechando a temporada nos dias 22 de novembro a 6 de dezembro em Honolua Bay, na ilha de Maui, no Havaí.

SOBRE A WORLD SURF LEAGUE – a World Surf League (WSL) organiza as competições anuais de surfe profissional e as transmissões ao vivo de cada etapa pelo worldsurfleague.com, onde você pode acompanhar todo o drama e aventura do surfe competitivo em qualquer lugar e a qualquer hora onde acontecer. As sanções da WSL são para os seguintes circuitos: World Surf League Championship Tour (CT), que define os campeões mundiais da temporada, Qualifying Series (QS), Big Wave Tour, Pro Junior e Longboard. A organização da WSL está sediada em Santa Monica, Califórnia, com escritório comercial em Nova York. A WSL também tem sete escritórios regionais de apoio na organização dos eventos na África, Ásia, Austrália, Europa, Havaí, América do Norte e América do Sul.

RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO HURLEY PRO TRESTLES:

Campeão: Mick Fanning (AUS) por 17,44 pontos (notas 9,77+7,67) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Adriano de Souza (BRA) com 16,44 (notas 9,07+7,37) – US$ 40.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 20.000 de prêmio:

1.a: Adriano de Souza (BRA) 15.46 x 15.27 Filipe Toledo (BRA)

2.a: Mick Fanning (AUS) 18.17 x 17.54 Gabriel Medina (BRA)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com 5.200 pontos e US$ 15.000 de prêmio:

1.a: Filipe Toledo (BRA) 16.66 x 8.90 Joel Parkinson (AUS)

2.a: Adriano de Souza (BRA) 12.67 x 8.83 Wiggolly Dantas (BRA)

3.a: Mick Fanning (AUS) 15.13 x 7.50 Adrian Buchan (AUS)

4.a: Gabriel Medina (BRA) 11.34 x 9.44 Nat Young (EUA)

TOP-22 NO JEEP LEADERBOARD DA WORLD SURF LEAGUE – após a 8.a etapa em Trestles:

1.o: Mick Fanning (AUS) – 44.700 pontos

2.o: Adriano de Souza (BRA) – 42.950

3.o: Filipe Toledo (BRA) – 39.700

4.o: Owen Wright (AUS) – 38.400

5.o: Julian Wilson (AUS) – 34.950

6.o: Kelly Slater (EUA) – 32.400

7.o: Gabriel Medina (BRA) – 30.650

8.o: Jeremy Flores (FRA) – 29.000

9.o: Italo Ferreira (BRA) – 28.900

10: Nat Young (EUA) – 27.950

11: Josh Kerr (AUS) – 26.650

12: Wiggolly Dantas (BRA) – 26.350

13: Taj Burrow (AUS) – 24.450

14: Joel Parkinson (AUS) – 21.900

15: Kai Otton (AUS) – 21.850

16: Bede Durbidge (AUS) – 21.200

17: Adrian Buchan (AUS) – 19.700

18: John John Florence (HAV) – 18.750

19: Matt Wilkinson (AUS) – 18.500

20: Jadson André (BRA) – 15.950

21: Miguel Pupo (BRA) – 14.750

22: Sebastian Zietz (HAV) – 13.750

33: Alejo Muniz (BRA) – 7.950

39: Bruno Santos (BRA) – 4.000

41: Tomas Hermes (BRA) – 1.000

42: Alex Ribeiro (BRA) – 500

42: David do Carmo (BRA) – 500

ÚLTIMAS ETAPAS DO SAMSUNG GALAXY WORLD SURF LEAGUE CHAMPIONSHIP TOUR 2015:

9.a: Out 06-17: Quiksilver Pro France em Hossegor, Landes – França

10: Out 20-31: Moche Rip Curl Pro Portugal em Supertubos, Peniche, Cascais – Portugal

11: Dez 08-20: Billabong Pipe Masters em Banzai Pipeline, Oahu – Havaí

FINAL DO SWATCH WOMEN´S PRO:

Campeã: Carissa Moore (HAV) por 16,37 pontos (notas 8,37+8,00) – US$ 60.000 e 10.000 pontos

Vice-campeã: Bianca Buitendag (AFR) com 13,84 pontos (7,87+6,17) – US$ 25.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 16.250 de prêmio:

1.a: Bianca Buitendag (AFR) 13.27 x 12.93 Lakey Peterson (EUA)

2.a: Carissa Moore (HAV) 14.27 x 9.60 Dimity Stoyle (AUS)

TOP-10 DO RANKING FEMININO DA WORLD SURF LEAGUE – 7 etapas:

1.a: Carissa Moore (HAV) – 53.000 pontos

2.a: Courtney Conlogue (EUA) – 48.600

3.a: Sally Fitzgibbons (AUS) – 42.800

4.a: Bianca Buitendag (AFR) – 40.750

5.a: Lakey Peterson (EUA) – 39.000

6.a: Tyler Wright (AUS) – 33.650

7.a: Johanne Defay (FRA) – 33.350

8.a: Tatiana Weston-Webb (HAV) – 30.100

9.a: Malia Manuel (HAV) – 28.900

10: Stephanie Gilmore (AUS) – 26.300

13: Silvana Lima (BRA) – 21.900

19: Luana Coutinho (BRA) – 1.750

Aloha!

Por: João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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