Filipe Toledo

Filipe Toledo (Foto: Kioki Saguibo – WSL)

O foco principal de Filipe Toledo no Havaí é a disputa do título mundial em Banzai Pipeline, mas já está competindo na ilha de Oahu e chegou perto de uma vitória inédita para o Brasil em Haleiwa Beach. O seu aéreo full rotation de frontside valeu a maior nota – 9,5 – da final do Hawaiian Pro, só que o ‘power surf’ de Wade Carmichael prevaleceu em duas boas ondas para conquistar a primeira joia da Tríplice Coroa Havaiana. O australiano faturou 40 mil dólares e saltou da 53.a para a 13.a posição no Qualifying Series com os 10.000 pontos da vitória. Filipe subiu para quinto no ranking que ele venceu no ano passado e larga em segundo na Vans Triple Crown of Surfing, com Gabriel Medina em sétimo ficando nas semifinais do QS 10000 de Haleiwa.

Dois havaianos também decidiram o título do Hawaiian Pro e entrariam no G-10 com a vitória em Haleiwa. Mas, Ezekiel Lau terminou em terceiro, Dusty Payne em quarto e Connor O´Leary permaneceu fechando a lista. Ele e os também australianos Davey Cathels e Ryan Callinan, ainda estão com suas vagas ameaçadas por quase quarenta surfistas no último QS 10000 do ano. A batalha final será na Vans World Cup of Surfing, que começa terça-feira em Sunset Beach. Em Haleiwa, não entrou nenhum swell consistente e o Hawaiian Pro aproveitou o único, com ondas de 3-4 pés com boa formação para manobras de borda e aéreas também, porém poucas entravam nas baterias nos longos intervalos entre as séries de todos os dias.

“Nos últimos dez minutos o mar ficou completamente flat (sem ondas) e eu ficava pensando: Oh, meu Deus, eu só preciso de uma onda”, disse Filie Toledo. “Essa onda até veio no final, era até boa, mas eu não consegui fazer nada melhor do que um 5,30. Mesmo assim, o segundo lugar não é ruim e estou feliz pelo resultado. Estou contente também por todos que fizeram a final, o Zeke (Ezekiel Lau), o Dusty (Payne) e parabéns para o Wade (Carmichael) que mereceu a vitória”.

No sábado, as séries até estavam mais constantes no início do dia, com boas esquerdas e direitas, mas as calmarias sempre apareciam, desde a primeira bateria até a grande final. A decisão do título começou nas esquerdas de Haleiwa, com Filipe Toledo arriscando o aéreo sem completar a manobra. A segunda onda foi surfada por Dusty Payne, que usou as manobras de borda para largar na frente com 5,83. Ezekiel Lau surfou a primeira direita da final e mandou um aéreo rodando que valeu 4,33.

Wade Carmichael pegou duas ondas fracas e Dusty Payne destrói uma boa direita para receber nota 7,0 e abrir vantagem na liderança. As direitas passaram a funcionar melhor e Filipe Toledo vem atacando forte uma, mas errou a segunda manobra. Na de trás, Ezekiel acerta uma batida jogando água pra cima e emenda outro aéreo para se manter em segundo lugar, com os dois havaianos na frente no primeiro terço da bateria.

O power surf de Carmichael apareceu numa boa onda que valeu nota 9,07, aí Filipe usa sua arma mortal, o aéreo full rotation de frontside muito alto com aterrisagem perfeita, para arrancar 9,5 dos juízes e assumir a ponta. O australiano pega outra direita e vai abrindo grandes leques de água com a pressão das suas manobras e tira o primeiro lugar do brasileiro com nota 6,33. A disputa do título continuava aberta nos 15 minutos finais, mas com os havaianos já precisando de uma onda excelente de mais de 8 pontos para a vitória. Para Filipe, bastava uma que rendesse 5,90.

Só que as séries pararam de entrar e a calmaria agonizante continuou até quando restavam 4 minutos para o término. Com a prioridade de escolha, Filipe pega a primeira onda e sai variando manobras até onde foi possível, mas nem conseguiu trocar o 5,33 da sua segunda nota computada. Ezekiel vem na seguinte com a torcida vibrando a cada movimento, mas a onda era fraca. No minuto final, entra outra série, Filipe pega uma esquerda pequena sem potencial, Payne ainda acha uma direita nos últimos segundos, mas nada mudou. Wade Carmichael foi o campeão por 15,40 pontos, contra 14,83 de Filipe Toledo, 13,04 de Ezekiel Lau e 12,83 de Dusty Payne.

“Eu nem sei o que dizer, não conseguia acreditar ver todos na praia me vendo surfar, é tudo muito incrível vencer um evento aqui no Havaí, é muito especial”,disse Wade Carmichael. “O ano tem sido difícil pra mim. Comecei bem em Trestles (EUA) com um terceiro lugar, mas depois não consegui mais nada. Eu tenho um pouco de dificuldade em surfar ondas pequenas e continuei cometendo alguns erros. Mas, sinto que com esta vitória aqui, eu posso conseguir um outro bom resultado em Sunset Beach, então estou amarradão”.

VAGAS NO G-10 – O Hawaiian Pro começou com mais de quarenta surfistas tendo chances matemáticas de entrar no G-10, mas ninguém conseguiu. Alguns ficaram a um passo de tirar a última vaga de Connor O´Leary, barrado no segundo confronto do sábado, ainda pelas oitavas de final. Até na decisão do título, pois Dusty Payne e Ezekiel Lau ultrapassariam o australiano com a vitória em Haleiwa. O sábado foi iniciado com seis concorrentes, mas o americano Conner Coffin e o australiano Cooper Chapman perderam logo no primeiro confronto do dia, para Gabriel Medina e Wade Carmichael. Nas quartas de final eram quatro candidatos, dois deles na primeira bateria. O havaiano Dusty Payne derrotou os três australianos e seguiu em frente, enquanto Stu Kennedy terminou em último e também saiu da briga.

O americano Tanner Gudauskas era outro com chances na terceira bateria, porém não acompanhou o forte ritmo de Ryan Callinan, que consolidou sua posição no G-10, nem de Gabriel Medina, que fez o maior placar do dia nesta bateria, 17,66 pontos. Na última quarta de final, Wade Carmichael já mostrou a potência do seu power surf e Ezekiel Lau passou em segundo depois de um vira-vira no minuto final com o neozelandês Ricardo Christie. O paulista Hizunomê Bettero não achou boas ondas e ficou em último, mas ainda está na briga por vaga no G-10 em Sunset Beach.

O recorde de 17,66 pontos de Gabriel Medina no sábado foi igualado por Filipe Toledo na semifinal de tops do CT, com a mesma arma do campeão mundial, os aéreos. Na briga pela segunda vaga na decisão, Dusty Payne superou o australiano Kai Otton e o taitiano Michel Bourez. Na outra bateria, Medina não conseguiu pegar as melhores ondas e ficou em último, com Ryan Callinan também sendo eliminado por Ezekiel e o campeão Wade Carmichael.

ÚLTIMA CHANCE – Os dois havaianos eram os últimos que poderiam entrar no G-10 em Haleiwa, mas somente com a vitória no Hawaiian Pro, ou seja, para Dusty Payne era repetir seu título do ano passado. Só que desta vez, ele terminou em quarto, mas se aproximou da zona de classificação para o CT, subindo da 37.a para a 17.a posição no ranking que classifica dez surfistas para a elite dos top-34 da World Surf League. Ezekiel Lau ficou em terceiro e saltou do quadragésimo para o 18.o lugar.

Na lista dos quarenta surfistas que vão brigar pelas três últimas vagas no G-10 em Sunset Beach, estão sete brasileiros, o cearense Michael Rodrigues (15.o lugar), os paulistas Deivid Silva (30.o), Hizunomê Bettero (37.o) e Jessé Mendes (40.o), o catarinense Tomas Hermes (41.o), o baiano Bino Lopes (48.o) e o potiguar Jadson André (49.o), além do argentino Santiago Muniz (46.o). Isto sem contar o paulista Wiggolly Dantas (27.o) e outro potiguar, Italo Ferreira (35.o), que já estão com suas permanências na elite garantidas entre os 22 mantidos pelo ranking principal da WSL.

Antes do Havaí era Michael Rodrigues, agora é Wade Carmichael quem encabeça a relação dos que terão uma última chance de lutar pelas três vagas que faltam definir no G-10, ocupadas pelos também australianos Ryan Callinan, Davey Cathels e Connor O´Leary, que passou a fechar a lista depois do Hawaiian Pro. Carmichael supera os 19.300 pontos dele se chegar nas oitavas de final da Vans World Cup of Surfing. Depois, os mais próximos são o americano Conner Coffin e o havaiano Dusty Payne, caso passem para as quartas de final. Os demais, incluindo os sete brasileiros, só ultrapassam Connor O´Leary nas semifinais ou na grande final, com doze deles necessitando unicamente da vitória em Sunset Beach.

SOBRE A WORLD SURF LEAGUE – a World Surf League (WSL) organiza as competições anuais de surfe profissional e as transmissões ao vivo de cada etapa pelo worldsurfleague.com, onde você pode acompanhar todo o drama e aventura do surfe competitivo em qualquer lugar e a qualquer hora onde acontecer. As sanções da WSL são para os seguintes circuitos: World Surf League Championship Tour (CT), que define os campeões mundiais da temporada, Qualifying Series (QS), Big Wave Tour, Pro Junior e Longboard. A organização da WSL está sediada em Santa Monica, Califórnia, com escritório comercial em Nova York. A WSL também tem sete escritórios regionais de apoio na organização dos eventos na África, Ásia, Austrália, Europa, Havaí, América do Norte e América do Sul.

RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO QS 10000 HAWAIIAN PRO:

Campeão: Wade Carmichael (AUS) por 15,40 pontos (9,07+6,33) – US$ 40.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Filipe Toledo (BRA) com 14,83 pontos (9,50+5,33) – US$ 20.000 e 8.000 pontos

Terceiro lugar: Ezekiel Lau (HAV) com 13,04 pontos (7,27+5,77) – US$ 12.000 e 6.700 pontos

Quarto lugar: Dusty Payne (HAV) com 12,83 pontos (7,00+5,83) – US$ 10.000 e 6.300 pontos

SEMIFINAIS – 3.o=5.o lugar com US$ 7.500 e 5.300 pts / 4.o=7.o com US$ 6.500 e 5.100 pts:

1.a: 1-Filipe Toledo (BRA), 2-Dusty Payne (HAV), 3-Michel Bourez (TAH), 4-Kai Otton (AUS)

2.a: 1-Ezekiel Lau (HAV), 2-Wade Carmichael (AUS), 3-Ryan Callinan (AUS), 4-Gabriel Medina (BRA)

QUARTAS DE FINAL – 3.o=9.o lugar com US$ 5.250 e 3.800 pts / 4.o=13.o com US$ 4.750 e 3.600 pts:

1.a: 1-Dusty Payne (HAV), 2-Kai Otton (AUS), 3-Josh Kerr (AUS), 4-Stu Kennedy (AUS)

2.a: 1-Mchel Bourez (TAH), 2-Filipe Toledo (BRA), 3-Tomas Hermes (BRA), 4-Tiago Pires (PRT)

3.a: 1-Gabriel Medina (BRA), 2-Ryan Callinan (AUS), 3-Tanner Gudauskas (EUA), 4-Nat Young (EUA)

4.a: 1-Wade Carmichael (AUS), 2-Ezekiel Lau (HAV), 3-Ricardo Christie (NZL), 4-Hizunomê Bettero (BRA)

OITAVAS DE FINAL – 3.o=17.o lugar com 2.300 pts e US$ 2.750 / 4.o=25.o com 2.100 pts e US$ 2.250:

————baterias que abriram o sábado:

7.a: 1-Wade Carmichael (AUS), 2-Gabriel Medina (BRA), 3-Conner Coffin (EUA), 4-Cooper Chapman (AUS)

8.a: 1- Ricardo Christie (NZL), 2-Nat Young (EUA), 3-Jadson André (BRA), 4-Connor O´Leary (AUS)

————baterias que fecharam a sexta-feira:

1.a: 1-Stu Kennedy (AUS), 2-Tomas Hermes (BRA), 3-Jeremy Flores (FRA), 4-Adrian Buchan (AUS)

2.a: 1-Kai Otton (AUS), 2-Tiago Pires (PRT), 3-Kanoa Igarashi (EUA), 4-Alex Ribeiro (BRA)

3.a: 1-Michel Bourez (TAH), 2-Josh Kerr (AUS), 3-Wiggolly Dantas (BRA), 4-Billy Stairmand (NZL)

4.a: 1-Filipe Toledo (BRA), 2-Dusty Payne (HAV), 3-Brent Dorrington (AUS), 4-Deivid Silva (BRA)

5.a: 1-Ryan Callinan (AUS), 2-Ezekiel Lau (HAV), 3-Nathan Yeomans (EUA), 4-Sebastian Zietz (HAV)

6.a: 1-Tanner Gudauskas (EUA), 2-Hizunomê Bettero (BRA), 3-John John Florence (HAV), 4-Keanu Asing (HAV)

G-10 DO WSL QUALIFYING SERIES – após 36 etapas:

1.o: Caio Ibelli (BRA) – 28.400 pontos

1.o: Jack Freestone (AUS) – 28.400

3.o: Kolohe Andino (EUA) – 27.600

4.o: Miguel Pupo (BRA) – 26.100

5.o: Filipe Toledo (BRA) – 25.500 + top 22 do CT

6.o: Alejo Muniz (BRA) – 23.450

7.o: Kanoa Igarashi (JPN) – 23.350

8.o: Alex Ribeiro (BRA) – 22.550

9.o: Davey Cathels (AUS) – 21.300

9.o: Ryan Callinan (AUS) – 21.300

11: Connor O´Leary (AUS) – 19.300

——-40 com chances de G-10 em Sunset Beach:

13: Wade Carmichael (AUS) – 19.250 pontos – supera o 11.o se chegar nas oitavas de final

14: Conner Coffin (EUA) – 18.450 – ultrapassa 19.300 se chegar nas quartas de final

17: Dusty Payne (HAV) – 16.700 – também precisa chegar nas quartas de final

——–4 precisam chegar nas semifinais:

15: Michael Rodrigues (BRA) – 17.900

16: Stu Kennedy (AUS) – 17.550

18: Ezekiel Lau (HAV) – 16.060

19: Nathan Yeomans (EUA) – 16.000

——–3 precisam do 5.o lugar = 3.o na bateria semifinal:

21: Cooper Chapman (AUS) – 15.280

22: Soli Bailey (AUS) – 15.250

23: Maxime Huscenot (REU) – 15.100

——–7 superam os 19.300 pontos se chegar na final:

20: Adam Melling (AUS) – 15.500

24: Mitch Coleborn (AUS) – 15.050

25: Joan Duru (FRA) – 14.980

26: Patrick Gudauskas (EUA) – 14.610

27: Wiggolly Dantas (BRA) – 14.600 – Top 22 do CT

28: Tanner Hendrickson (HAV) – 14.500

29: Evan Geiselman (EUA) – 14.280

——–3 tem que ficar entre os 3 primeiros na final:

30: Deivid Silva (BRA) – 14.075

31: Carlos Munoz (CRI) – 13.750

34: Hiroto Ohhara (JPN) – 13.350

——–8 tem que ser vice no mínimo:

32: Dion Atkinson (AUS) – 13.450

33: Sebastian Zietz (HAV) – 13.380

35: Italo Ferreira (BRA) – 13.200 – Top 22 do CT

35: Tanner Gudauskas (EUA) – 13.200

37: Hizunomê Bettero (BRA) – 12.840

38: Noe Mar McGonagle (CRI) – 12.800

39: Ricardo Christie (NZL) – 12.700

40: Jessé Mendes (BRA) – 12.410

——–12 só entram no G-10 com vitória:

41: Tomas Hermes (BRA) – 12.350

42: Pedro Henrique (PRT) – 11.930

43: Brent Dorrington (AUS) – 11.900

44: Keanu Asing (HAV) – 11.650 – Top 22 do CT

45: Billy Stairmand (NZL) – 11.250

46: Santiago Muniz (ARG) – 11.000

47: Mateia Hiquily (TAH) – 10.770

48: Bino Lopes (BRA) – 10.450

49: Jadson André (BRA) – 10.400

52: Mitch Crews (EUA) – 10.100

54: Vasco Ribeiro (PRT) – 10.050

56: Charles Martin (GLP) – 10.000

Aloha!

Por: João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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