Havaiano Dusty Payne é campeão em casa

Raoni Monteiro quase coloca o Brasil no pódio em Haleiwa

Raoni Monteiro quase coloca o Brasil no pódio em Haleiwa (Foto: Ed Sloane / ASP)

O primeiro desafio da Tríplice Coroa Havaiana foi realizado nos quatro primeiros dias do prazo do Reef Hawaiian Pro em ondas que variaram entre 6 e 20 pés no Alli Beach Park de Haleiwa. O carioca Raoni Monteiro levou o Brasil até as semifinais e saltou da 78.a para a 41.a posição no ASP Qualification Series, passando a ter chances reais de conquistar uma vaga na lista dos dez indicados pelo ranking de acesso para o WCT 2015 na outra etapa do ASP Prime do Havaí, a Vans World Cup of Surfing, que começa no dia 24 e vai até 6 de dezembro em Sunset Beach. Com duas ondas incrivelmente bem surfadas em um espaço de apenas 90 segundos, o havaiano Dusty Payne faturou o título em Haleiwa, com o australiano Julian Wilson ficando em segundo lugar, seguido pelo francês Jeremy Flores e outro australiano, Adam Melling.

“Sempre foi um sonho meu ganhar aqui desde que eu assisti o Andy (Irons) vencer este evento anos atrás”,disse Dusty Payne, em meio a lágrimas de alegria ao citar o havaiano Andy Irons, que faleceu em novembro de 2010 e era um amigo íntimo dele e fonte de inspiração durante seus primeiros anos no WCT. “Nós surfamos ondas épicas em Haleiwa por quatro dias seguidos, então o que mais eu posso dizer, só que estou muito feliz e que quero apenas me divertir e me manter no surfe. Este é o melhor emprego do mundo”.

DustyPayne Haleiwa-Cestari

Dusty Payne largou na frente na disputa do título da Tríplice Coroa Havaiana (Foto: Kelly Cestari / ASP)

O campeão foi o único dos quatro finalistas a competir desde a primeira fase do Reef Hawaiian Pro, passando um total de sete baterias eliminatórias ao longo dos quatro dias do evento que abriu a Tríplice Coroa Havaiana. Julian Wilson usou a sua variedade de aéreos incríveis para largar na frente na disputa do título do ASP Prime de Haleiwa. Mas, quando restavam 14 minutos para o término da bateria final, Payne virou o placar com as notas 9,87 e 9,77 que recebeu em duas ondas surfadas em um curto período de 90 segundos. Ele atacou as direitas de Haleiwa Beach de forma incrível para superar Julian Wilson por 19,64 a 18,74 pontos, com Jeremy Flores ficando em terceiro lugar com 14,97 e Adam Melling em quarto com 11,33 nas duas notas computadas.

Pelo título no Reef Hawaiian Pro, Dusty Payne faturou 40 mil dólares de prêmio e 6.500 pontos que o levaram da obscura 97.a posição no ranking do ASP Qualification Series para a 24.a, se aproximando da zona de classificação para o WCT, que está garantindo até o 14.o colocado. Esta foi apenas a segunda grande vitória do havaiano na sua carreira. A primeira foi no Drug Aware Pro em março de 2013 em Margaret River, na Austrália. Depois de passar 2 anos sofrendo com lesões que o tiraram da elite do WCT, Payne mostrou estar recuperado das contusões e pronto para recuperar seu lugar no grupo dos melhores surfistas do mundo.

“Quando eu estava no WCT, eu não conseguia ganhar eventos ou até mesmo chegar no último dia dos campeonatos como eu gostaria”, relembra Dusty Payne. “Ficar este ano assistindo meus amigos competindo bem no circuito me deu um novo ânimo para continuar treinando e surfando cada vez mais. Eu só quero mesmo é competir, me divertir surfando boas ondas com apenas mais um ou três surfistas nas baterias, acho que isso é o melhor de tudo para mim”.

CONFIRMADOS NO WCT – Enquanto o havaiano se aproximou da lista dos dez surfistas que o ASP Qualification Series indica para completar a elite dos top-34 do WCT, os outros três finalistas que já fazem parte deste grupo este ano, garantiram suas permanências para 2015 por terem ultrapassado a barreira dos 13.000 pontos no ranking. O vice-campeão Julian Wilson atingiu 16.085 e subiu da décima para a quinta posição que estava sendo ocupada por uma das novidades do Brasil para o ano que vem, o potiguar Italo Ferreira. O também australiano Adam Melling alcançou 15.250 pontos e foi de sétimo para sexto no ranking com o quarto lugar em Haleiwa.

Já o francês Jeremy Flores foi um dos três surfistas que entraram no G-10 com o resultado do Reef Hawaiian Pro, saltando da 19.a para a oitava posição com os 13.030 pontos que passou a totalizar com os 4.450 recebidos pelo terceiro lugar em Haleiwa. Além dele, o australiano Matt Wilkinson que ficou em nono nas quartas de final e o norte-americano Brett Simpson, barrado junto com o brasileiro Raoni Monteiro em sétimo lugar na primeira semifinal, também entraram na zona de classificação para o WCT. Os três tiraram da lista o francês Joan Duru, o brasileiro Jessé Mendes e Charles Martin, da ilha Guadalupe.

MUDANÇAS NO G-10 – Assim como o paulista Jessé Mendes, o catarinense Tomas Hermes também não trocou resultado em Haleiwa, permaneceu com 11.180 pontos no ranking e despencou da oitava para a 12.a posição no ranking que está garantindo até o 14.o colocado. Isto porque quatro surfistas que estão à frente deles fazem parte do grupo dos 22 primeiros colocados no WCT que são mantidos na elite para o ano que vem, o líder do ranking Filipe Toledo, os também brasileiros Jadson André em quarto lugar e Adriano de Souza em nono, além do australiano Julian Wilson que assumiu a quinta posição.

Com a saída do catarinense Willian Cardoso do G-10 durante a “perna brasileira” de fim de ano da ASP South America e agora de Jessé Mendes na primeira etapa da Tríplice Coroa Havaiana, a Austrália passou a deter a maioria das vagas no ranking de acesso para o WCT 2015. O vice-líder do ranking Matt Banting e Adam Melling em sexto lugar já estão garantidos na elite do ano que vem, enquanto Matt Wilkinson e Jack Freestone vão defender as duas últimas vagas na lista na Vans World Cup of Surfing em Sunset Beach.

O Brasil agora tem três surfistas no G-10, o paulista Wiggolly Dantas em terceiro no ranking e o potiguar Italo Ferreira em sétimo já confirmados como novidades da seleção verde-amarela no WCT 2015, além do catarinense Tomas Hermes, que também tem sua vaga ainda ameaçada, assim como o havaiano Keanu Asing em 11.o lugar e o norte-americano Brett Simpson em décimo. Então, a lista agora está dividida exatamente pela metade, com cinco já garantidos para o grupo dos 34 melhores surfistas do mundo e outros cinco brigando pelas últimas vagas principalmente contra o francês Joan Duru (15.o no ranking), o brasileiro Jessé Mendes (16.o), Charles Martin de Guadalupe (18.o), o neozelandês Ricardo Christie (19.o), o norte-americano Tim Reyes (20.o) e o catarinense Willian Cardoso (21.o).

RAONI ENTRA NA BRIGA – Mas, também ganharam um novo ânimo para brigar pelas últimas vagas alguns surfistas que estavam bem mais abaixo no ranking, como é o caso do campeão Dusty Payne que saltou da 97.a para a 24.a posição na classificação geral das 31 etapas completadas em Haleiwa Beach. Quem também corre por fora com boas chances é o brasileiro Raoni Monteiro, que já saltou de 78 para 41 no ranking com os 3.400 pontos do quinto lugar conquistado nas semifinais do Reef Hawaiian Pro. O carioca sempre consegue bons resultados no Havaí, inclusive em Sunset Beach, onde já fez finais em anos anteriores. A vantagem de Raoni é que só agora na última etapa do ASP Qualification Series ele vai completar os cinco resultados computados no ranking, enquanto todos os outros estarão trocando sua quinta melhor pontuação no ano.

Raoni fez grandes apresentações durante o Reef Hawaiian Pro, vencendo baterias muito difíceis para chegar nas semifinais, quando acabou sendo barrado pelos dois melhores surfistas do campeonato, o campeão Dusty Payne e o vice Julian Wilson. Além do carioca, apenas mais três brasileiros chegaram nas oitavas de final. O catarinense Tomas Hermes foi eliminado na bateria que Raoni Monteiro passou em segundo na vitória do sul-africano Jordy Smith. Depois, dois paulistas também saíram da briga do título, com Wiggolly Dantas parando na dobradinha australiana de Adam Melling com Wade Carmichael e o líder do ranking, Filipe Toledo, que vinha embalado pela vitória espetacular no O´Neill SP Prime na lotada Praia de Maresias, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, perdeu para o taitiano Michel Bourez e o francês Jeremy Flores a disputa pelas duas últimas vagas para as quartas de final.

Por: João Carvalho – Assessoria de Imprensa da ASP South America

G-10 DO ASP QUALIFICATION SERIES PARA O WCT 2015 – 31 etapas:

1.o: *Filipe Toledo (BRA) – 20.020 pontos

2.o: Matt Banting (AUS) – 17.920 – 1.o do G-10

3.o: Wiggolly Dantas (BRA) – 16.745 – 2.o do G-10

4.o: *Jadson André (BRA) – 16.240

5.o: *Julian Wilson (AUS) – 16.085

6.o: Adam Melling (AUS) – 15.250 – 3.o do G-10

7.o: Italo Ferreira (BRA) – 14.505 – 4.o do G-10

8.o: Jeremy Flores (FRA) – 13.030 – 5.o do G-10

9.o: *Adriano de Souza (BRA) – 12.089

10: Brett Simpson (EUA) – 12.045 – 6.o do G-10

11: Keanu Asing (HAV) – 11.400 – 7.o do G-10

12: Tomas Hermes (BRA) – 11.180 – 8.o do G-10

13: Matt Wilkinson (AUS) – 10.780 – 9.o do G-10

14: Jack Freestone (AUS) – 10.440 – 10.o do G-10

—–*=classificando-se entre os 22 mantidos pelo WCT

——–próximos sul-americanos até 100 no QS:

16: Jessé Mendes (BRA) – 10.170 pontos

21: Willian Cardoso (BRA) – 9.285

40: Heitor Alves (BRA) – 6.620

41: Raoni Monteiro (BRA) – 6.600

42: Caio Ibelli (BRA) – 6.350

45: Peterson Crisanto (BRA) – 6.040

48: Santiago Muniz (ARG) – 5.890

49: Alex Ribeiro (BRA) – 5.770

51: Michael Rodrigues (BRA) – 5.530

63: Alejo Muniz (BRA) – 4.860

70: David do Carmo (BRA) – 4.405

71: Krystian Kymerson (BRA) – 4.397

72: Ian Gouveia (BRA) – 4.345

73: Marco Fernandez (BRA) – 4.320

85: Jean da Silva (BRA) – 3.370

88: Hizunomê Bettero (BRA) – 3.222

89: Bino Lopes (BRA) – 3.200

99: Miguel Pupo (BRA) – 2.800

Aloha!

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