Billabong Pro Tahiti 2017 - WSL Teahupoo 2017 - Gabriel Medina e Julian Wilson

Julian Wilson e Gabriel Medina (Foto: Poullenot – WSL)

Uma decisao emocionante nos tubos de Teahupoo fechou o Billabong Pro Tahiti, com o campeao mundial Gabriel Medina ganhando a unica nota 10 no domingo, antes de disputar o titulo pela terceira vez na etapa mais desafiadora do World Surf League Championship Tour. Ele tambem achou bons tubos na final, para liderar a bateria com uma “combination” de 17,87 pontos com notas 9,20 e 8,67. Mas, o australiano Julian Wilson reagiu pegando ondas que rodaram tubos mais limpos para tirar a vitoria do brasileiro com notas 9,23 e 9,73. Medina agora entra na lista dos sete surfistas que vao brigar pela lycra amarela do Jeep WSL Leader na proxima etapa, que passara a ser vestida pelo sul-africano Jordy Smith no Hurley Pro Trestles, do dia 6 a 17 de setembro na California, Estados Unidos.

Medina tem um retrospecto impressionante na etapa das ondas mais perigosas do Circuito Mundial. Foi campeao em 2014 na final contra Kelly Slater, vice em 2015 contra o frances Jeremy Flores e terceiro colocado no ano passado, perdendo a semifinal para John John Florence, com ambos somando mais de 19 pontos de 20 possiveis em tubos incriveis. Ja Julian Wilson conseguiu sua terceira vitoria em etapas do CT e todas contra Medina, sempre ganhando de virada nas baterias lideradas pelo brasileiro. Ele so venceu o australiano na sua primeira vitoria em 2011 na Franca, no seu ano de estreia na divisao de elite da World Surf League. Depois, Julian deu o troco em 2012 na etapa portuguesa em Peniche e tambem ganhou a final do Pipe Masters de 2014, quando Medina ja tinha se desconcentrado festejando o primeiro titulo mundial do Brasil garantido nas semifinais.

“E muito especial ganhar e estou em extase, nao sei nem dizer tudo que estou sentindo agora”, disse Julian Wilson. “Estou feliz e aliviado por finalmente ganhar um evento novamente. Eu precisava de muitas ondas boas para vencer esse evento e tive sorte em conseguir fazer os tubos que eu procurava surfar. Eu venho conseguindo alguns bons resultados, chegando em finais, mas precisava vencer para ganhar confianca e fico feliz por estar mais perto da briga pelo titulo agora. Estou realmente ansioso para ver como sera o restante do ano”.

A bateria final comecou tensa, como na semifinal entre Gabriel Medina e Kolohe Andino, devido a batalha para pegar a primeira onda boa da bateria. O brasileiro ganhou essa briga nas duas. O australiano pressionou bastante na remada braco a braco, mas Medina foi mais forte e dropou, so que a onda fechou. Medina logo pega outra onda, faz um tubo rapido seguido por duas manobras pra tirar nota 5,0.  Julian Wilson demora um pouco e pega uma maior, que rende um tubo e duas manobras mais fortes para comecar com nota 7,0.

Medina responde num tubo mais profundo e bem maior para ganhar 8,67. Depois, o brasileiro pega outro tubo que fica muito entocado la dentro, some, reaparece e manda mais tres manobras na onda para tirar 9,20 dos juizes e deixar o australiano em “combination”. Teahupoo comeca a bombar bons tubos para Julian, que reage com nota 8,10. Logo faz outro melhor para ganhar 9,23 e diminuir a vantagem que era de 17,87 pontos para 8,64. E o australiano ainda pega outro tubaco de backside, some la dentro e sai limpo para ganhar 9,73 e tirar uma vitoria quase certa de Gabriel Medina, virando o placar para 18,96 a 17,87.

“Foi uma otima final e obrigado ao Gabe (Gabriel Medina) por mais uma bateria fantastica”, destacou Julian Wilson. “Nos sempre fazemos grandes confrontos em finais e tivemos mais uma boa batalha hoje (domingo). Os tubos apareceram para nos dois na bateria e esse e um dia especial para mim, acho que o campeonato terminou em boas condicoes”.

Gabriel Medina tambem ficou feliz pelo resultado, pois ainda nao tinha feito nenhuma final esse ano: “Foi legal ter feito outra final com o Julian (Wilson). Ele vinha surfando bem durante todo o evento e acho que e ate um pouco mais dificil de backside aqui, mas ele soube trabalhar muito bem e mereceu a vitoria. Estou feliz pelo resultado tambem, e bom voltar ao jogo e ja estou pensando em Trestles agora. Hoje (domingo) e Dia dos Pais no Brasil e meu pai esta aqui, entao esse foi um bom presente para ele”.

Com a vitoria no Taiti, Julian Wilson tirou o quinto lugar no ranking de Adriano de Souza, enquanto Gabriel Medina trocou de posicao com Filipe Toledo, subindo da nona para a setima colocacao. No entanto, a chance matematica para os dois brasileiros, Mineirinho e Medina, sairem de Trestles liderando a corrida do titulo mundial e ingrata, tem que vencer a etapa norte-americana e os que estao a sua frente perderem nas primeiras fases. A briga segue mais concentrada em Jordy Smith, John John Florence e Matt Wilkinson, que caiu do primeiro para o terceiro lugar com a derrota para Wiggolly Dantas na quinta fase. Owen Wright tambem poderia ter ultrapassado o ex-lider, mas foi barrado por Gabriel Medina nas quartas de final e permaneceu em quarto lugar.

UNICA NOTA 10 – Foi nessa bateria que saiu a unica nota 10 desse ano no Billabong Pro Tahiti. E o tubo perfeito, ou o mais dificil na analise dos juizes, foi surfado por Medina logo na primeira onda que pegou contra Owen Wright. Ele ficou muito profundo, passando por varias placas que caiam a sua frente, parecia que nao conseguiria sair, mas ressurgiu e ainda mandou uma serie de tres manobras potentes para fechar a melhor apresentacao do ano no Taiti. O australiano tambem comecou bem com 7,17 e na segunda onda tirou 6,77 para liderar a bateria. O brasileiro foi em varias ondas e o maximo que conseguiu foi 2,83, mas ele trocou as posicoes desses numeros em outro tubaco que achou no final para receber nota 8,23 e confirmar a primeira vaga nas semifinais por 18,23 a 13,94 pontos.

Na bateria seguinte, Wiggolly Dantas foi vitimado pelas longas calmarias em Teahupoo no domingo, perdendo muito tempo esperando por ondas com tubos e so pegou um que valeu nota 6,17. O norte-americano Kolohe Andino ficou mais ativo, pegando as que ele deixava passar para liderar com notas 5,00 e 5,60, que depois foram trocadas por 6,23 e 8,10 no placar encerrado em 14,33 a 7,67 pontos. Apesar da derrota, o quinto lugar foi um excelente resultado para Wiggolly, que entrou no grupo dos 22 primeiros do ranking que sao mantidos na elite dos top-34 para o ano que vem. Ele ganhou seis posicoes, subindo do 25.o para o 19.o lugar na classificacao geral das sete etapas completadas no Taiti.

SEMIFINAIS – Kolohe entao seguiu para enfrentar Gabriel Medina e a bateria comecou sem ondas, chegando a ser reiniciada apos 10 minutos sem entrar nenhuma serie. Os dois travaram uma grande disputa pela primeira onda e Medina comecou melhor com nota 7,33, O californiano falhou nas primeiras tentativas, sua prancha chegou a ser partida numa queda, ai pegou outra do seu pai e com ela surfou um tubaco nota 8,90, a maior da bateria. Mas, Gabriel Medina ainda acha outro tubo que rende 7,83 para vencer Kolohe Andino por 15,16 a 13,90 pontos, se classificando para a final do Billabong Pro Teahupoo pela terceira vez.

Na outra semifinal, nao entraram muitas ondas boas e Julian Wilson derrotou Jordy Smith por 14,26 a 7,33 pontos. O sul-africano estreava como lider isolado na corrida pelo titulo mundial, posicao conquistada num confronto direto com o havaiano John John Florence na terceira quarta de final. Os dois ja tinham ultrapassado o ex-lider Matt Wilkinson, barrado na fase anterior pelo brasileiro Wiggolly Dantas e a lycra amarela do Jeep WSL Leader foi disputada nessa bateria. Ela ficou com Jordy Smith, que surfou o melhor tubo da bateria para tirar nota 8,0 que garantiu a vitoria por 14,50 a 13,10 pontos sobre o havaiano.

No domingo, as condicoes do mar e do vento variaram bastante como nos outros dias, mas algumas baterias aconteceram nos melhores momentos, com Teahupoo bombando mais tubos nas series de 4-6 pes. No entanto, as longas calmarias tambem continuaram, com poucas ondas entrando para os dois competidores. Gabriel Medina vinha sempre comecando bem suas baterias, apesar de que no sabado ficou esperando por uma onda que so chegou nos ultimos segundos. Ele nao comecou bem no ultimo dia, inclusive fez uma “interferencia” em Matt Wilkinson na bateria que Kolohe Andino ganhou a vaga direta para as quartas de final.

Medina teve que disputar uma rodada extra e aproveitou a segunda chance de classificacao surfando dois tubos na casa dos 7 pontos para despachar Connor O?Leary por 14,37 a 11,66. Na bateria seguinte, deu Brasil de novo com Wiggolly Dantas derrotando o lycra amarela Matt Wilkinson por 15,50 a 12,00 pontos, com um tubaco nota 8,17 na primeira onda. O australiano perdeu a bateria e a lideranca do ranking, que foi disputada num confronto direto entre John John Florence e Jordy Smith nas quartas de final, vencido pelo sul-africano.

O Billabong Pro Tahiti foi transmitido pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo da WSL e no Facebook Live atraves da pagina da World Surf League no Facebook, passando ao vivo tambem pela ESPN+ e globoesporte.com no Brasil, CBS Sports Network nos Estados Unidos, Fox Sports na Australia, SKY NZ na Nova Zelandia, SFR Sports na Franca e em Portugal e EDGE Sports Network na China, Japao, Malasia e outros territorios asiaticos.

RESULTADOS DO ULTIMO DIA DO BILLABONG PRO TAHITI:

Campeao: Julian Wilson (AUS) por 18,96 pontos (9,73+9,23) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeao: Gabriel Medina (BRA) com 17,87 (9,20+8,67) – US$ 50.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 25.000 de premio:

1.a: Gabriel Medina (BRA) 15.16 x 13.90 Kolohe Andino (EUA)

2.a: Julian Wilson (AUS) 14.26 x 7.33 Jordy Smith (AFR)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com 5.200 pontos e US$ 16.500 de premio:

1.a: Gabriel Medina (BRA) 18.23 x 13.94 Owen Wright (AUS)

2.a: Kolohe Andino (EUA) 14.33 x 7.67 Wiggolly Dantas (BRA)

3.a: Jordy Smith (AFR) 14.50 x 13.10 John John Florence (HAV)

4.a: Julian Wilson (AUS) 15.16 x 9.00 Joan Duru (FRA)

QUINTA FASE – Vitoria=Quartas de Final e Derrota=9.o lugar com 4.000 pontos e US$ 13.700:

1.a: Gabriel Medina (BRA) 14.37 x 11.66 Connor O?Leary (AUS)

2.a: Wiggolly Dantas (BRA) 15.50 x 12.00 Matt Wilkinson (AUS)

3.a: Jordy Smith (AFR) 11.93 x 11.40 Conner Coffin (EUA)

4.a: Julian Wilson (AUS) 14.24 x 10.60 Adrian Buchan (AUS)

QUARTA FASE – Vitoria=Quartas de Final / 2.o e 3.o=Quinta Fase:

1.a: 1-Owen Wright (AUS)=14.50, 2-Connor O?Leary (AUS)=13.40, 3-Wiggolly Dantas (BRA)=13.40

2.a: 1-Kolohe Andino (EUA)=13.37, 2-Matt Wilkinson (AUS)=12.50, 3-Gabriel Medina (BRA)=6.00

3.a: 1-John John Florence (HAV)=15.76, 2-Conner Coffin (EUA)=7.90, 3-Julian Wilson (AUS)=4.00

4.a: 1-Joan Duru (FRA)=12.33, 2-Adrian Buchan (AUS)=11.43, 3-Jordy Smith (AFR)=8.40

TOP-22 DO JEEP WSL LEADERBOARD – apos a setima etapa no Taiti:

1.o: Jordy Smith (AFR) – 37.850 pontos

2.o: John John Florence (HAV) – 36.900

3.o: Matt Wilkinson (AUS) – 35.950

4.o: Owen Wright (AUS) – 35.350

5.o: Julian Wilson (AUS) – 33.200

6.o: Adriano de Souza (BRA) – 29.650

7.o: Gabriel Medina (BRA) – 29.000

8.o: Joel Parkinson (AUS) – 26.150

9.o: Filipe Toledo (BRA) – 24.450

10: Connor O?Leary (AUS) – 24.200

11: Kolohe Andino (EUA) – 23.000

12: Mick Fanning (AUS) – 21.350

13: Michel Bourez (TAH) – 20.200

14: Frederico Morais (PRT) – 19.450

15: Sebastian Zietz (HAV) – 17.750

16: Joan Duru (FRA) – 17.650

17: Conner Coffin (EUA) – 17.500

18: Adrian Buchan (AUS) – 17.000

19: Wiggolly Dantas (BRA) – 16.450

20: Caio Ibelli (BRA) – 15.500

21: Jeremy Flores (FRA) – 14.500

22: Bede Durbidge (AUS) – 14.450

———–outros brasileiros:

23: Italo Ferreira (BRA) – 14.200 pontos

25: Ian Gouveia (BRA) – 12.000

32: Miguel Pupo (BRA) – 7.250

32: Jadson Andre (BRA) – 7.250

34: Yago Dora (BRA) – 7.000

37: Jesse Mendes (BRA) – 2.250

40: Bino Lopes (BRA) – 1.000

41: Samuel Pupo (BRA) – 500

Aloha!

Por: Joao Carvalho – WSL South America Media Manager – [email protected]

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